
Cinco ano depois do original, chega aos cinemas a adaptação da ótima comédia dramática italiana, "L'Ultimo Baccio" (dirigida pelo talentoso Gabriele Muccino).
Para quem viu o original em 2001, a notícia do remake veio talvez com um misto de alegria e de reserva.
Primeiro, a alegria de trazer novamente à pauta temas sempre bem vindos e belamente abordados no longa: conflitos amorosos e existenciais atemporais e a grande dificuldade humana de fazer escolhas e renúncias.
Mas, de outro lado, recebemos esta informação ressabiados, já que o título original é tão bom que parecia dispensar qualquer releitura: "L'Ultimo Baccio" ("O Último Beijo" em português) é um filme simples, mas de uma sensibilidade tocante, com um refinado senso de humor e um olhar perspicaz sobre os relacionamentos amorosos.
Surge então a pergunta que a princípio incomoda: embora as reflexões trazidas por Muccino permaneçam válidas (como sempre permanecerão), e embora retomá-las seja mesmo um prazer, será que neste caso não valeria mais a pena uma boa sessão saudade de "L'Ultimo Baccio" no DVD?
Ou seja: será que a tal releitura americana seria boa o suficiente para fazer por merecer nossa ida aos cinemas?
O primeiro bom motivo para isso é que o roteiro da versão americana é assinado pelo prestigiado Paul Haggis, recentemente aclamado por "Menina de Ouro (2004)" e "Crash - No Limite (2004)" - no qual além de roteirista foi também diretor.
Diante da seriedade que o nome de Paul Haggis impõe, associoada ao material original de qualidade, as nossas expectativas naturalmente crescem...
A sinopse é essencialmente a mesma e caso você tenha perdido o italiano, aqui vai um resumo simplório: Michael (interpretado por Zach Braff, da série "Scrubs") se vê às voltas com seus trinta anos e uma profunda crise existencial que os acompanha. Dividido entre a juventude da qual de certo modo já começa a se despedir e a vida adulta que parece aterrisar com força total sobre si, Michael começa a questionar suas escolhas quando a namorada de longa data, Jenna (Jacinda Barrett, de "Poseidon"), descobre estar grávida.
Michael não se sabe ainda preparado para ser marido e pai e para complicar ainda mais, vê-se envolvido com a bela Kim (Rachel Bilson, da série "The O.C."), mais de dez anos mais jovem, que representa um universo leve e descompromissado do qual ele sente cada vez mais falta.
Não bastasse seus próprios dilemas emocionais, Michael acompanha também os conflitos vividos por seus amigos e pelos pais de Jenna. São gerações diferentes, mas com dilemas parecidos sobre o amor, a liberdade, a maturidade e as muitas alegrias e dificuldades dos relacionamentos afetivos.
O papel central, Michael (o Carlo do longa original), é defendido com competência por Braff, que merece destaque desde "Hora de Voltar" (2004), que roteirizou, dirigiu e estrelou. Talvez o Michael de Braff não seja páreo para o Carlo do belo Stefano Accorsi, mas não podemos culpá-lo por não ter o mesmo charme dos italianos, que como escreveu o Bernardo, até quando são feios, são bonitos.
E o inegável carisma de Accorsi é parte essencial para a química do triângulo central que sustenta o filme.
Ainda assim, Braff é talentoso e se sai bem. O mesmo vale para Jacinda Barrett, a Jenna, que neste caso até pode, quem sabe, se comparar em beleza e graça à Giovanna Mezzogiorno, que interpretou o papel similar (Giulia).
Rachel Bilson, a Kim, mostra que pode dar conta de um bom papel nas telonas e convence na versão morena da lolita irresistível.
Ainda no elenco da adaptação estão nomes que merecem destaque como Tom Wilkinson, Blythe Danner e Cassey Affleck.
E não é que o filme é bom? Ainda que seja norte-americano, ainda que seu diretor e alguns de seus atores tenham mais experiência em tv do que em cinema (olha o preconceito...) e ainda que com a sombra do anterior que lhe ofusca, já que permanece superior.
A nova versão não tem aquele ingrediente delicioso que dá o incomparável gostinho à la italiana, mas ainda assim é um filme interessante: "Um Beijo a Mais" é sim uma doce surpresa e refresca idéias de um modo equilibrado e muitas vezes envolvente, com atores dedicados e um cuidadoso roteiro adaptado.
Então, a boa notícia é que embora a sessão do DVD original seja sempre uma boa pedida, a adaptação americana vale sim a pena e pode render quase duas horas de uma agradável sessão de cinema.
Por Fabiane Secches
The Last Kiss (EUA, 2006). Direção de Tony Goldwyn. Roteiro de Paul Haggis, adaptado de Gabrile Muccino. Com Zach Braff, Jacinda Barrett, Rachel Bilson, Tom Wilkinson, Blythe Danner, Cassey Affleck, Marley Shelton, Harold Ramis e elenco. Duração: 115 minutos. Site oficial: http://www.lastkissmovie.com/
* Esta crítica (reeditada) foi originalmente publicada no site Zeta Filmes, em 22/12/2006.
Para quem viu o original em 2001, a notícia do remake veio talvez com um misto de alegria e de reserva.
Primeiro, a alegria de trazer novamente à pauta temas sempre bem vindos e belamente abordados no longa: conflitos amorosos e existenciais atemporais e a grande dificuldade humana de fazer escolhas e renúncias.
Mas, de outro lado, recebemos esta informação ressabiados, já que o título original é tão bom que parecia dispensar qualquer releitura: "L'Ultimo Baccio" ("O Último Beijo" em português) é um filme simples, mas de uma sensibilidade tocante, com um refinado senso de humor e um olhar perspicaz sobre os relacionamentos amorosos.
Surge então a pergunta que a princípio incomoda: embora as reflexões trazidas por Muccino permaneçam válidas (como sempre permanecerão), e embora retomá-las seja mesmo um prazer, será que neste caso não valeria mais a pena uma boa sessão saudade de "L'Ultimo Baccio" no DVD?
Ou seja: será que a tal releitura americana seria boa o suficiente para fazer por merecer nossa ida aos cinemas?
O primeiro bom motivo para isso é que o roteiro da versão americana é assinado pelo prestigiado Paul Haggis, recentemente aclamado por "Menina de Ouro (2004)" e "Crash - No Limite (2004)" - no qual além de roteirista foi também diretor.
Diante da seriedade que o nome de Paul Haggis impõe, associoada ao material original de qualidade, as nossas expectativas naturalmente crescem...
A sinopse é essencialmente a mesma e caso você tenha perdido o italiano, aqui vai um resumo simplório: Michael (interpretado por Zach Braff, da série "Scrubs") se vê às voltas com seus trinta anos e uma profunda crise existencial que os acompanha. Dividido entre a juventude da qual de certo modo já começa a se despedir e a vida adulta que parece aterrisar com força total sobre si, Michael começa a questionar suas escolhas quando a namorada de longa data, Jenna (Jacinda Barrett, de "Poseidon"), descobre estar grávida.
Michael não se sabe ainda preparado para ser marido e pai e para complicar ainda mais, vê-se envolvido com a bela Kim (Rachel Bilson, da série "The O.C."), mais de dez anos mais jovem, que representa um universo leve e descompromissado do qual ele sente cada vez mais falta.
Não bastasse seus próprios dilemas emocionais, Michael acompanha também os conflitos vividos por seus amigos e pelos pais de Jenna. São gerações diferentes, mas com dilemas parecidos sobre o amor, a liberdade, a maturidade e as muitas alegrias e dificuldades dos relacionamentos afetivos.
O papel central, Michael (o Carlo do longa original), é defendido com competência por Braff, que merece destaque desde "Hora de Voltar" (2004), que roteirizou, dirigiu e estrelou. Talvez o Michael de Braff não seja páreo para o Carlo do belo Stefano Accorsi, mas não podemos culpá-lo por não ter o mesmo charme dos italianos, que como escreveu o Bernardo, até quando são feios, são bonitos.
E o inegável carisma de Accorsi é parte essencial para a química do triângulo central que sustenta o filme.
Ainda assim, Braff é talentoso e se sai bem. O mesmo vale para Jacinda Barrett, a Jenna, que neste caso até pode, quem sabe, se comparar em beleza e graça à Giovanna Mezzogiorno, que interpretou o papel similar (Giulia).
Rachel Bilson, a Kim, mostra que pode dar conta de um bom papel nas telonas e convence na versão morena da lolita irresistível.
Ainda no elenco da adaptação estão nomes que merecem destaque como Tom Wilkinson, Blythe Danner e Cassey Affleck.
E não é que o filme é bom? Ainda que seja norte-americano, ainda que seu diretor e alguns de seus atores tenham mais experiência em tv do que em cinema (olha o preconceito...) e ainda que com a sombra do anterior que lhe ofusca, já que permanece superior.
A nova versão não tem aquele ingrediente delicioso que dá o incomparável gostinho à la italiana, mas ainda assim é um filme interessante: "Um Beijo a Mais" é sim uma doce surpresa e refresca idéias de um modo equilibrado e muitas vezes envolvente, com atores dedicados e um cuidadoso roteiro adaptado.
Então, a boa notícia é que embora a sessão do DVD original seja sempre uma boa pedida, a adaptação americana vale sim a pena e pode render quase duas horas de uma agradável sessão de cinema.
Por Fabiane Secches
The Last Kiss (EUA, 2006). Direção de Tony Goldwyn. Roteiro de Paul Haggis, adaptado de Gabrile Muccino. Com Zach Braff, Jacinda Barrett, Rachel Bilson, Tom Wilkinson, Blythe Danner, Cassey Affleck, Marley Shelton, Harold Ramis e elenco. Duração: 115 minutos. Site oficial: http://www.lastkissmovie.com/
* Esta crítica (reeditada) foi originalmente publicada no site Zeta Filmes, em 22/12/2006.



